ALERTA AO LITORAL NORTE: NÃO É PROGRESSO. É RISCO REAL.

 

Estão tentando vender como desenvolvimento.
Estão chamando de oportunidade histórica.
Estão prometendo empregos e crescimento.

Mas o que está sendo colocado sobre a mesa é algo muito maior:

Um empreendimento de altíssimo impacto em uma das regiões ambientais mais frágeis do Rio Grande do Sul.

E a população precisa saber exatamente o que isso significa.


Rio em degradação pelo lançamento de efluentes de ETEs


ATHOS STERN

Engenheiro, professor aposentado da Ufrgs

Consultor da Associação Comunitária de Imbé - Braço Morto


O SISTEMA LAGUNAR NÃO SUPORTA AVENTURA

O sistema ligado ao Rio Tramandaí não é um canal de escoamento infinito.

É um complexo de lagoas interligadas, com:

  • Renovação lenta;
  • Equilíbrio delicado;
  • Dependência de marés e ventos;
  • Sensibilidade extrema a cargas poluidoras.

Ambientes assim não “se recuperam sozinhos” quando pressionados.

Eles entram em colapso progressivo.

E quando entram, não há decreto, discurso ou promessa que resolva.


UM PORTO EM ARROIO DO SAL NÃO FICA EM ARROIO DO SAL

A dinâmica marinha transporta sedimentos, poluentes e alterações ao longo da costa.

Isso significa que os efeitos podem alcançar:

  • Torres
  • Capão da Canoa
  • Xangri-Lá
  • Imbé
  • Tramandaí

E toda a faixa costeira conforme ventos e correntes.

Quem afirma que o impacto será “localizado” ou não entende hidrodinâmica costeira — ou prefere que você não entenda.


24 HORAS POR DIA. 365 DIAS POR ANO.

Não é apenas uma estrutura.

É:

  • Jamantas circulando dia e noite;
  • Ruído permanente;
  • Poluição luminosa;
  • Dragagens constantes;
  • Pressão sobre estradas turísticas estreitas;
  • Risco operacional contínuo.

O litoral vive de paisagem, silêncio relativo, turismo, pesca e balneabilidade.

Porto industrial pesado muda completamente essa equação.


ONDE ESTÃO AS INSTITUIÇÕES?

FEPAM foi criada para proteger o meio ambiente.

Não para flexibilizar risco.

Não para acelerar licenciamento.

Não para agir como carimbadora de interesse econômico.

Se estamos falando de um sistema lagunar de baixa renovação hídrica, o mínimo exigido é:

  • Estudos regionais independentes;
  • Avaliação de impacto cumulativo;
  • Transparência total;
  • Aplicação rigorosa do princípio da precaução.

Se isso não está sendo feito com máxima severidade técnica, a população tem o direito — e o dever — de questionar.


AMLINORTE NÃO PODE SE ESCONDER

A AMLINORTE representa os municípios do litoral.

Se o impacto é regional, o silêncio não é neutralidade.

É omissão.

Prefeitos que hoje evitam se posicionar estarão amanhã explicando por que deixaram avançar um risco que pode atingir toda a economia costeira.


O QUE ESTÁ EM JOGO DE VERDADE?

  • Balneabilidade das praias;
  • Pesca artesanal;
  • Turismo sustentável;
  • Valorização imobiliária;
  • Qualidade da água;
  • Segurança ambiental das lagoas.

O litoral norte não vive de guindastes.

Vive de água limpa.


A VERDADE QUE PRECISA SER DITA

Um paraíso natural destruído por um porto

Se houver erro técnico, quem paga é a população.

Se houver assoreamento, quem perde é o pescador.

Se houver contaminação, quem sofre é o morador.

Se o turismo cair, quem fecha é o comércio local.

Empreendimento de alto impacto não experimenta.
Ele transforma definitivamente.

E quando transforma errado, não há volta simples.


A POPULAÇÃO PRECISA PERGUNTAR

  • Houve estudo hidrodinâmico regional independente?
  • Houve simulação realista de dispersão de poluentes?
  • Houve análise de risco cumulativo?
  • Houve debate público amplo?
  • Houve transparência total dos dados?

Se não houve, por que tanta pressa?


SILÊNCIO É CONCORDÂNCIA

Quando autoridades:

  • minimizam riscos,
  • evitam debates,
  • aceleram processos,
  • reduzem questionamentos,

estão fazendo escolha.

E escolha que envolve patrimônio ambiental coletivo precisa ser enfrentada.


O LITORAL NORTE NÃO É EXPERIMENTO

Não somos zona de sacrifício.
Não somos área descartável.
Não somos moeda de troca.

O sistema do Rio Tramandaí sustenta um território inteiro.

Mexer nesse equilíbrio sem garantias técnicas robustas é brincar com o futuro de milhares de pessoas.


A HORA É AGORA

Depois que as estruturas estiverem erguidas,
Depois que as dragagens forem feitas,
Depois que a dinâmica costeira for alterada,

não adianta indignação tardia.

A defesa do litoral começa antes do dano.


Compartilhe.
Questione.
Exija transparência.
Exija responsabilidade.

Porque quando a água adoece,
a região inteira adoece junto.

 

Fotos ilustrativas


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PORTO EM ARROIO DO SAL

CARTA AOS PREFEITOS DO LITORAL NORTE DO RS

O LAGO DOS JACARÉS