SE O CRIME FOR PRATICADO, QUEM SÃO OS CULPADOS?

 



A audiência Pública realizada pela Assembleia Legislativa no dia 16 de abril demonstrou claramente,  pelos depoimentos dos especialistas e líderes comunitários presentes, que o projeto do Porto Meridional, em Arroio do Sal, terá  consequências gravíssimas no futuro do município e do Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

Comprovou, também, que os responsáveis pela obra, ausentes no debate, e os políticos que se manifestaram a seu favor não estão considerando os riscos em questão. Agem apenas por interesses econômicos e políticos.


ATHOS STERN

Engenheiro, professor aposentado da Ufrgs

Ex-presidente e consultor da Associação Comunitária de Imbé - Braço Morto

 O deputado Issur Koch não está “apoiando desenvolvimento”.
Está vinculando sua imagem a um projeto com potencial concreto de degradação ambiental irreversível.

O prefeito Luciano Pinto da Silva não é espectador.
É protagonista direto de uma decisão que pode comprometer o futuro econômico, ambiental e social do município.

O governador Eduardo Leite não é neutro.
Ao viabilizar institucionalmente esse projeto, abre caminho para uma transformação territorial de alto risco, cujas consequências não poderão ser desfeitas com discursos.

Cada assinatura, cada licença, cada manifestação favorável é uma escolha consciente.


TÉCNICOS E ÓRGÃOS — NÃO EXISTE NEUTRALIDADE EM ESTUDO MAL FEITO

Corpos técnicos não estão “cumprindo protocolo”.
Estão produzindo documentos que sustentam decisões que podem alterar a linha de costa, destruir ecossistemas e comprometer gerações.

Órgãos ambientais não podem se esconder atrás de burocracia.
Se ignorarem impactos cumulativos e de longo prazo, estarão legitimando um erro histórico.

Consultorias não são figurantes.
Seus estudos podem virar álibi técnico para uma tragédia ambiental anunciada.


VEREADORES — CADA VOTO TEM CONSEQUÊNCIA

Nenhum voto será neutro.

Quem votar a favor estará assumindo, conscientemente:

  • o risco de destruição ambiental
  • a descaracterização do litoral
  • a perda do turismo
  • a desvalorização econômica da região
  • o impacto direto na vida da população

Não há como alegar desconhecimento depois.


INTERESSES ECONÔMICOS — O VELHO PADRÃO

Empreendedores sabem exatamente o que estão fazendo.

Quando os lucros são privados e os prejuízos ficam para a sociedade, o resultado é sempre o mesmo:
degradação, abandono e custo público.

Instituições financeiras que apoiarem esse projeto estarão financiando um passivo ambiental que pode durar décadas.


O SILÊNCIO TAMBÉM É CULPA

Quem se omite diante de riscos evidentes:

  • enfraquece o debate
  • permite decisões mal fundamentadas
  • contribui para o erro

Silêncio, aqui, não é prudência — é conivência.


O QUE ESTÁ EM JOGO NÃO É PEQUENO

Não se trata apenas de uma obra.

Estamos falando de:

  • águas limpas que podem se tornar impróprias
  • praias preservadas que podem desaparecer
  • um ecossistema inteiro sob risco
  • uma economia baseada no turismo sendo desmontada

E tudo isso em um litoral que ainda mantém algo raro:
beleza, equilíbrio e identidade.


OS IMPACTOS NÃO SÃO TEÓRICOS — SÃO PREVISÍVEIS

A ciência já mostrou o que acontece:

  • Alteração da dinâmica costeira
  • Erosão intensa em áreas vizinhas
  • Assoreamento em outras regiões
  • Recuo da linha de costa
  • Perda de balneabilidade

O litoral gaúcho não foi feito para esse tipo de intervenção:

  • não possui baías naturais
  • é exposto diretamente ao oceano
  • apresenta histórico de instabilidade

Ignorar isso não é erro técnico — é negligência.


O PREÇO REAL: TURISMO, PESCA E QUALIDADE DE VIDA

O que sustenta a região hoje:

  • turismo
  • pesca
  • valorização ambiental

O que esse projeto pode gerar:

  • perda de atratividade
  • queda no valor imobiliário
  • impacto nas comunidades locais
  • pressão urbana desordenada

Trocar isso por um porto mal localizado não é desenvolvimento — é retrocesso.


E A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR

Quando surgirem:

  • a erosão
  • a água imprópria
  • a perda econômica
  • os danos sociais

Quem vai pagar essa conta?

Porque uma coisa é certa:


A RESPONSABILIDADE VAI FICAR

Não prescreve.
Não desaparece.
Não se apaga com o tempo.

Vai ficar registrada:

  • nos impactos ambientais
  • nos prejuízos econômicos
  • na memória da população

E principalmente:

nos nomes de quem decidiu ignorar os riscos.


CONCLUSÃO — NÃO É CONTRA O DESENVOLVIMENTO

É contra um erro anunciado.

Arroio do Sal não é laboratório.
O litoral norte não é área descartável.

O que está sendo decidido agora vai definir:

  • o ambiente
  • a economia
  • a vida das próximas gerações

E também vai deixar claro:

quem escolheu proteger…
e quem escolheu destruir.


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