OS RISCOS DE UM PORTO NO LITORAL NORTE GAÚCHO
O Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) da construção do Porto Meridional no município de Arroio do Sal serão avaliados em duas audiências públicas, marcadas para os dias 16 de junho, em Arroio do Sal, e 18 de junho, em Porto Alegre.
Serão duas valiosas oportunidades para que a população tome conhecimento desta obra e os riscos ambientais que envolve. Ambientalistas e pesquisadores especializados estão mobilizados para analisar os estudos apresentados até agora pelos empreendedores, entre eles Athos Stern, engenheiro e professor aposentado da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e ex-presidente e consultor da Associação Comunitária de Imbé - Braço Morto.
Leia abaixo:
Após uma análise detalhada dos estudos ambientais apresentados pelo empreendimento Porto Meridional, foram identificados muitos problemas técnicos, ambientais e legais que impedem afirmar que o projeto seja seguro para o litoral norte do Rio Grande do Sul.
Os estudos apresentados deixam dúvidas importantes sem resposta e não demonstram de forma confiável que o porto possa ser construído sem causar danos graves ao meio ambiente, às praias, à pesca, ao turismo e à qualidade de vida da população.
Em outras palavras:
não foi comprovado que o Porto Meridional seja ambientalmente viável.
QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS PREOCUPAÇÕES?
1. RISCO DE EROSÃO E DESTRUIÇÃO DAS PRAIAS
Uma das maiores preocupações é o risco de aumento da erosão costeira.
A construção de molhes, quebra-mares e dragagens pode alterar o movimento natural das correntes e da areia do litoral.
Isso pode provocar:
- avanço do mar;
- perda de faixa de areia;
- destruição gradual das praias;
- risco para casas, ruas e estruturas urbanas;
- prejuízos ao turismo e à economia local.
A própria costa gaúcha já sofre processos erosivos em vários pontos. Um empreendimento deste porte pode agravar ainda mais essa situação.
2. DRAGAGENS CONSTANTES E IMPACTOS NO MAR
Para funcionar, o porto precisaria de dragagens frequentes e permanentes.
Dragagem significa retirar areia e sedimentos do fundo do mar para permitir a passagem de grandes navios.
Esse processo pode causar:
- aumento da turbidez da água;
- prejuízo à fauna marinha;
- impactos sobre peixes e espécies costeiras;
- alteração dos ecossistemas;
- contaminação ambiental;
- mudanças nas correntes marítimas.
Além disso, os estudos não demonstram claramente para onde irá o material retirado do fundo do mar nem quais serão os impactos cumulativos dessas operações ao longo dos anos.
3. IMPACTOS SOBRE A PESCA E A VIDA DAS COMUNIDADES
A pesca artesanal pode ser fortemente prejudicada.
Muitas famílias da região dependem diretamente do mar para sobreviver.
O aumento do tráfego de navios, da poluição sonora, das dragagens e das alterações ambientais pode afetar:
- os locais de pesca;
- a reprodução dos peixes;
- a segurança dos pescadores;
- a renda das comunidades costeiras.
Os estudos apresentados não demonstram garantias reais de proteção social e econômica para essas populações.
4. AMEAÇAS AO TURISMO E À QUALIDADE DE VIDA
O litoral norte do Rio Grande do Sul possui forte dependência do turismo.
Praias degradadas, aumento de poluição, tráfego pesado e impactos ambientais podem prejudicar diretamente:
- o comércio;
- o turismo;
- os imóveis;
- os empregos ligados à temporada;
- a atratividade da região.
Muitas pessoas escolheram viver ou investir no litoral justamente pela qualidade ambiental da região.
5. FALHAS NOS ESTUDOS AMBIENTAIS
A análise técnica identificou diversas falhas importantes nos estudos apresentados pelo empreendimento.
Entre elas:
- ausência de informações essenciais;
- análises incompletas;
- falta de aprofundamento técnico;
- uso insuficiente de dados climáticos;
- pouca avaliação dos impactos futuros;
- incertezas sobre erosão costeira;
- ausência de estudos mais robustos sobre mudanças climáticas e elevação do nível do mar.
Quando existem tantas dúvidas técnicas, o correto é agir com precaução.
6. MUDANÇAS CLIMÁTICAS AUMENTAM OS RISCOS
O planeta enfrenta um cenário crescente de eventos climáticos extremos.
O litoral gaúcho já sofre com:
- ressacas;
- tempestades;
- avanço do mar;
- alterações costeiras;
- eventos climáticos cada vez mais intensos.
Construir um megaempreendimento portuário em uma região ambientalmente sensível pode aumentar ainda mais os riscos futuros.
7. O PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO
Na área ambiental existe um princípio muito importante:
Quando há risco de dano grave ao meio ambiente e ainda existem dúvidas técnicas relevantes, o projeto não deve avançar sem absoluta segurança.
Ou seja:
não é a população que precisa provar que haverá dano.
É o empreendimento que precisa provar, com segurança, que não causará prejuízos ambientais graves.
E isso não foi demonstrado de forma convincente nos estudos analisados.
CONCLUSÃO FINAL
A análise técnica integrada conclui que existem fortes indícios de inviabilidade ambiental do Porto Meridional nas condições atualmente apresentadas.
Os riscos ambientais, sociais, costeiros e econômicos são elevados e ainda cercados de incertezas importantes.
Os estudos ambientais apresentados possuem falhas, omissões e insuficiências que impedem uma avaliação segura da implantação do empreendimento.
Diante disso, entende-se que o processo exige extrema cautela, aprofundamento técnico e ampla participação da sociedade.
O litoral norte é um patrimônio natural, social e econômico que pertence não apenas à geração atual, mas também às futuras gerações.
A decisão sobre um empreendimento desse porte não pode ser tomada com dúvidas técnicas, estudos incompletos ou riscos subestimados.
FRASE FINAL PARA MOBILIZAÇÃO POPULAR
“O DESENVOLVIMENTO NÃO PODE ACONTECER ÀS CUSTAS DA DESTRUIÇÃO DAS PRAIAS, DO MAR E DA QUALIDADE DE VIDA DA POPULAÇÃO. QUANDO O RISCO É GRANDE E AS DÚVIDAS PERMANECEM, PROTEGER O LITORAL É PROTEGER O FUTURO.”
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