DUAS BOMBAS PORTUÁRIAS EM ARROIO DO SAL

 


Um segundo porto, a 2,8 quilômetros da beira do mar, já tem autorização federal.

O projeto, a um custo de R$ 55 bilhões, pode causar danos incalculáveis ao equilíbrio ambiental e social do Litoral Norte. 

ATHOS STERN
Engenheiro, professor aposentado da UFRGS
Consultor da Associação Comunitária de Imbé - Braço Morto

Impactos Ambientais

Possíveis riscos e pressões:

  • Supressão de vegetação nativa e dunas: a área prevista de 150 hectares terá obras de acesso, pátios e instalações industriais. Isso pode afetar ecossistemas costeiros frágeis.
  • Assoreamento e erosão costeira: dragagem de 30 metros de calado e movimentação offshore podem alterar correntes marinhas e acelerar erosão das praias.
  • Risco à fauna marinha: barulho submarino, aumento de tráfego de navios e poluição por óleo podem afetar golfinhos, tartarugas e cardumes da região.
  • Poluição atmosférica e sonora: aumento de emissões de caminhões, trens e navios, além do ruído constante da operação portuária.
  • Impacto sobre a pesca artesanal: alteração no ciclo das espécies, limitação de áreas de pesca e risco de contaminação da água.
  • Resíduos e esgoto industrial: complexos portuários geram efluentes que precisam de tratamento rigoroso para não atingir o mar.

Impactos Econômicos

Potenciais ganhos:

  • Geração de empregos diretos e indiretos na construção e operação (milhares de postos de trabalho, sobretudo na fase inicial).
  • Aumento da arrecadação municipal e estadual, com ISS, ICMS e movimentação da cadeia logística.
  • Integração logística: ferrovia planejada até o Paraná, ligação com a BR-101, fortalecendo exportações do agronegócio e da indústria gaúcha.
  • Competitividade internacional: porto de 30 metros de calado atrairia navios de grande porte (que hoje não acessam o RS).

Riscos econômicos:

  • Concorrência com o Porto Meridional (outro projeto em Arroio do Sal, 5 km ao sul). Pode haver sobreposição de investimentos e queda na viabilidade econômica de ambos.
  • Dependência de carga garantida: sem contratos firmes de exportadores/importadores, o risco de o porto operar abaixo da capacidade é alto.
  • Concentração de ganhos: benefícios podem ficar restritos a grandes grupos econômicos, enquanto os custos sociais e ambientais recaem sobre a população local.

Impactos Sociais

  • Mudança no perfil da cidade: Arroio do Sal, hoje voltada ao turismo e veraneio, passaria a conviver com intensa atividade industrial e logística.
  • Aumento populacional repentino: migração de trabalhadores, pressão sobre saúde, educação, moradia e saneamento.
  • Conflito com o turismo: praias podem perder atratividade devido ao tráfego de navios, poluição visual, ruído e risco de contaminação.
  • Pressão sobre comunidades locais: pescadores, pequenos agricultores e moradores podem ser deslocados ou perder qualidade de vida.

Impactos Urbanísticos

  • Pressão sobre infraestrutura viária: BR-101 e estradas locais podem ficar sobrecarregadas com caminhões, exigindo obras adicionais.
  • Expansão urbana desordenada: crescimento rápido pode resultar em ocupação irregular, favelização e déficit de serviços públicos.
  • Mudança no uso do solo: áreas turísticas e residenciais podem ser convertidas em áreas industriais.

Impacto Legal e Político

  • Licenciamento ambiental complexo: com impactos em APPs, ecossistemas costeiros e marinhos, há alta probabilidade de judicialização.
  • Conflitos de interesse: projetos concorrentes (Meridional x Litoral Norte) podem gerar disputas políticas e questionamentos sobre sobreposição de autorizações.

Em resumo:

  • lado positivo está no investimento, geração de empregos e aumento da capacidade logística do RS.
  • O LADO NEGATIVO CONCENTRA-SE NO RISCO DE PERDA AMBIENTAL IRREVERSÍVEL, IMPACTOS SOBRE TURISMO E PESCA, E DÚVIDA SOBRE A REAL VIABILIDADE DE DOIS PORTOS GIGANTES LADO A LADO.
  • ConclusãoInviabilidade Econômica e Ambiental dos Terminais Portuários do litoral norte.
  • EFEITOS NEGATIVOS CONCRETOS E PERMANENTES QUE RECAEM SOBRE A POPULAÇÃO LOCAL

    Os defensores do projeto já têm todo o marketing pronto para divulgar os supostos “benefícios” — empregos, investimentos e progresso. O contraponto é mostrar o que raramente se fala: os efeitos negativos concretos e permanentes que recaem sobre a população local.

    A seguir, um quadro dos impactos negativos de portos em diferentes cidades (Brasil e mundo), apresentado de forma crítica:

    IMPACTOS NEGATIVOS DE PORTOS SOBRE MUNICÍPIOS QUE OS ACOLHEM

    Municípios/Portos analisados: Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí (SC), Rio Grande (RS), Roterdã (Holanda) e Cingapura

    1.     Impactos ambientais e urbanos

    Poluição da água e do ar (chuva ácida, poeira tóxica de grãos, carvão e fertilizantes)

    Assoreamento e erosão costeira

    Degradação de áreas estuarinas

    Poluição da Baía de Paranaguá

    Risco à biodiversidade do Complexo Estuarino

    Contaminação por derramamentos de óleo e grãos

    Aceleração do assoreamento do rio Itajaí-Açu

    Maior risco de enchentes

    Destruição de ecossistemas costeiros

    Contaminação por dragagem e despejo de sedimentos

    Impacto sobre áreas de preservação da Lagoa dos Patos

    Erosão costeira em praias vizinhas

    Grande pegada de carbono e poluição atmosférica

    Destruição histórica de pântanos e áreas naturais

    Extinção de ecossistemas costeiros e recifes de coral

    Reclusão da população em áreas urbanizadas sem natureza

    Impactos sociais e econômicos

    Congestionamento urbano e pressão sobre infraestrutura

    Especulação imobiliária e aumento do custo de vida

    Concentração de renda e benefícios para operadores privados, não para a comunidade local

    Abandono social e precarização de áreas vizinhas ao porto

    Síntese:

    Onde há porto, há também: poluição, perda ambiental irreversível, congestionamento, especulação imobiliária, concentração de renda e abandono social.

    O discurso oficial fala em “progresso” e “empregos”, mas o histórico mostra que os maiores beneficiados são sempre os operadores privados e exportadores — nunca a comunidade que acolhe o empreendimento.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PORTO EM ARROIO DO SAL

CARTA AOS PREFEITOS DO LITORAL NORTE DO RS

UM PROJETO DE MACRODRENAGEM EXECUTADO POR AMADORES OU INEXISTENTE