AMANHÃ SERÁ TARDE DEMAIS

 



ARROIO DO SAL DEU UM PASSO QUE PODE ACABAR COM AS PRAIAS DO LITORAL NORTE

ATHOS STERN

Engenheiro, professor aposentado da Ufrgs

Ex-presidente e consultor da Associação Comunitária de Imbé - Braço Morto


A aprovação unânime do novo Plano Diretor de Arroio do Sal está sendo vendida como progresso.
Mas quem conhece minimamente a realidade costeira do Rio Grande do Sul sabe: esse é o passo mais perigoso já dado contra o futuro das praias do Litoral Norte.

E aqui vai uma verdade desconfortável — especialmente para quem costuma pensar “não tenho nada a ver com isso”“isso não vai me afetar” ou “o porto só vai trazer empregos”:

A OMISSÃO DE HOJE VIRARÁ O ARREPENDIMENTO DE AMANHÃ.
E quando o litoral começar a desaparecer, não haverá a quem pedir desculpas.


1. O litoral norte não comporta um porto – e quem ignora isso está assinando a sentença das praias

Não existe milagre técnico. O litoral norte é geograficamente inadequado:

  • costa reta e desprotegida;
  • sem baías, sem enseadas, sem profundidade;
  • sujeito à erosão intensa e correntes agressivas.

Qualquer porto aqui só funciona assim:

  • dragagens eternas;
  • molhes gigantescos;
  • destruição da dinâmica natural da praia;
  • erosão para norte e sul em cadeia.

E quem acha que isso é exagero precisa saber: o RIMA não apresentou modelagem, não apresentou simulações e não cumpre o básico exigido pelo IBAMA.


2. O Porto Meridional ameaça TODAS as praias do litoral norte — inclusive as que você frequenta

Se o porto for instalado, o impacto não fica restrito a Arroio do Sal.

Ele afeta:

  • Torres (perda acelerada de areia),
  • Arroio do Sal (trechos condenados),
  • Capão da Canoa e Xangri-lá (erosão contínua),
  • Imbé, Tramandaí e Cidreira (retrocesso da praia e colapso do sistema de dunas).

Ou seja:

Não é um problema de um município.
É um problema de todos os moradores e veranistas do Litoral Norte.


3. Quem acha que “porto é progresso” precisa entender o custo real

Portos não combinam com turismo nem com qualidade de vida:

  • trânsito pesado 24h;
  • poluição do ar, ruído e luz;
  • queda de valor imobiliário;
  • degradação do entorno;
  • conflitos sociais e aumento da criminalidade;
  • abandono de moradores que não conseguem viver ao lado de um polo industrial.

O Litoral Norte é hoje a região que mais cresce no RS justamente porque tem praias, tranquilidade e turismo.
Com um porto, isso acaba.


4. Quem acha que “vai ser tudo pago pela iniciativa privada” está sendo enganado

O Porto Meridional não responde:

  • quem pagará a duplicação da Rota do Sol;
  • quem bancará acessos, segurança, habitação, saúde e saneamento;
  • quem arcará com os impactos sobre o Estado e municípios.

A resposta é simples: você.
Você que está omisso.
Você que acha que não é problema seu.
Você que será chamado a pagar a conta depois.


5. A população não foi ouvida — e quem se cala agora perde o direito de reclamar depois

Nenhum dos grandes municípios afetados foi consultado.

Nenhum veranista foi ouvido.

Nenhuma audiência regional foi feita.

Esta decisão foi tomada:

  • sem participação social,
  • sem transparência,
  • sem debate público,
  • sem ouvir quem mais será prejudicado.

O silêncio de hoje será cobrado no futuro.


6. É a vida dos seus filhos e netos que está em jogo

Cada dragagem, cada ressaca, cada erosão exigirá novas obras.
Cada intervenção criará mais danos.
Cada década trará custos maiores.

O porto não é um projeto de 5 anos.
É um legado de destruição para 50, 80, 100 anos.

Se nada for feito agora, seus filhos e netos não herdarão praias — herdarão:

  • um litoral erodido,
  • um corredor de caminhões,
  • um polo industrial decadente,
  • e a lembrança de que “um dia existiu praia por aqui”.

7. Advertência final a quem está omisso: NÃO HAVERÁ SEGUNDA CHANCE

Se você mora no litoral, frequenta, investe, trabalha ou simplesmente ama esta região, precisa entender:

A omissão é cúmplice.
O silêncio é apoio indireto.
A indiferença é uma forma de consentimento.

O Plano Diretor foi aprovado, mas o porto ainda não está licenciado.

Há tempo para agir — mas não haverá tempo para consertar se o porto sair do papel.


O momento é agora — ou nunca

Cabe a:

  • ambientalistas,
  • associações comunitárias,
  • moradores,
  • veranistas,
  • lideranças regionais,
  • profissionais técnicos,
  • e a cada cidadão que se preocupa minimamente com o futuro,

organizar a resistência jurídica, técnica e social para impedir este erro histórico.


CONCLUSÃO – O recado aos omissos

Se você acha que “não é problema seu”, lembre-se:

Será o seu verão que acabará.
Será a sua praia que desaparecerá.
Será o seu imóvel que desvalorizará.
Será o seu litoral que será destruído.
E será tarde demais para dizer:
“Eu não sabia.”

Ainda há tempo.
Mas o tempo está acabando.

 


 

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